segunda-feira, 9 de setembro de 2013

PRIMAVERA ÁRABE E AS MANIFESTAÇÕES NO BRASIL



Em todo o mundo, os motivos que levam jovens às ruas são os mais variados. O que eles têm em comum? A insatisfação e o protesto.
Os motivos são muitos, mas a estratégia é a mesma: jovens ocupam espaços públicos para expressar sua insatisfação.
Em geral ocupam espaços simbólicos das cidades, como Wall Street, em Nova York; a Praça Tahrir, no Cairo; ou a Praça Puerta Del Sol, em Madri; o Congresso Nacional ou a Avenida Paulista, no Brasil.
Embora o ato de protestar seja o mesmo, os movimentos têm objetivos distintos. No mundo árabe, a insatisfação era contra governantes autoritários, instalados há décadas no poder.
Na Espanha, o desemprego e os planos de austeridade motivaram os Indignados a sair às ruas. Em Nova York, o Occupy Wall Street mira a desigualdade econômica e social são os desfavorecidos na distribuição da riqueza.
No Brasil, as manifestações começaram em protesto contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo, mas logo ganharam uma dimensão maior, e a agenda também se ampliou.



Na Turquia, onde a repressão policial a um movimento pacífico contrário à construção de um centro comercial num parque de Istambul gerou revolta de outros setores da sociedade. Assim como no Brasil, grupos diversos, com reivindicações variadas, juntaram-se ao movimento, engrossando a contestação na Praça Taksim e no parque Gezi.



Levantes ocasionados por insatisfação política também ocorrem na África subsaariana, mas também em contextos bem únicos. O regime do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, enfrenta manifestações de contestação desde o ano passado. São ações lideradas por jovens estudantes e ativistas culturais, severamente reprimidas pelas forças de segurança.
 A insatisfação parece ser o único ponto em comum entre os jovens que saem às ruas em todo o mundo. Mesmo no caso de um país, como o Brasil, é difícil encontrar um tema unindo todos os manifestantes. Na verdade o que existe é uma "insatisfação generalizada com a política brasileira".
Embora seja difícil arriscar uma comparação entre a onda de protestos brasileira com as contestações à política vigente em Angola há mais de 30 anos, visto que lá os problemas sociais são pontuais, é possível encontrar semelhanças entre outros movimentos globais que mesmo em contextos diferentes têm o mesmo alvo.
O “casamento” entre o poder econômico e a representação política, não é novidade, porém, chegou a um ponto que saturou o povo. O sistema político e os partidos brasileiros não representam ninguém, a não ser a si próprios. A transferência de recursos para camadas mais pobres, como ocorreu nos programas sociais brasileiros, não causa impacto na classe média urbana, na verdade, causa um impacto negativo.
Na Turquia, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan qualificou os protestos de "um ataque à democracia turca", uma reação bem diferente da expressada pelas autoridades brasileiras. A Turquia é uma quase democracia, com direitos civis limitados, sem transparência e sem mídia independente.  No caso do Brasil não se trata de um governante que se sente em perigo e manda a polícia reprimir violentamente a oposição, como nos países da Primavera Árabe.
Manifestações em outros países também não encontram semelhanças com a onda de protestos brasileira. O governo sul-africano não enfrenta levantes em série, mas vem sendo criticado há meses pela repressão à manifestação dos mineiros de Marikana, que deixou 34 mortos em agosto passado. Os trabalhadores reivindicaram melhores salários e foram alvejados pela polícia, numa repressão que lembra o Apartheid – regime de segregação racial adotado pela África do Sul de 1948 a 1994.



Na Rússia, além de optar pela repressão, o governo enfrenta os protestos mobilizando organizações aliadas para "contramanifestações".
Na China, a repressão do regime evita ações mais audaciosas por parte da população.
Os levantes brasileiros também não se comparam aos conflitos religiosos na Índia, razão de intervenção enérgica do Estado.
A repressão na China e na Rússia é para a sobrevivência do regime. Os governos sufocam qualquer movimento para permanecer no poder.
O Brasil ainda é visto como uma sólida democracia.

Bem... Há controvérsias a esse respeito!!!