sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Arte Islâmica

Mais um pouco de história...

No ano de 622, o profeta Maomé se exilou em Yatrib, que passou a ser conhecida como Medina (cidade do profeta). De lá, os califas orientavam a expansão do Islã até a Palestina, Síria, Pérsia, Índia, Ásia, Norte da África e Espanha.
Como nômades, os muçulmanos levaram um bom tempo para estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de sua identidade cultural. O que fez com que o povo muçulmano absorvesse traços estilísticos dos povos que iam conquistando. Como não tinham grandes dificuldades para se adaptarem tomaram o modo de pensar e sentir daqueles povos, o que com o passar do tempo tornou-se sua própria identidade. Criando assim cúpulas bizantinas nas mesquitas e os tapetes persas, com sua infinidade de cores.

A "arte islâmica", a princípio, parece ser uma arte desprovida de representações figuradas, constituída unicamente por motivos geométricos e arabescos com suas formas e cores específicas. No entanto, existem numerosas representações de figuras animais e humanas na arte islâmica, que surgem sobretudo em contextos não religiosos.
A arte islâmica, a princípio, foi exclusividade das classes altas e dos príncipes mecenas, que eram os únicos com poder aquisitivo suficiente para construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. Todavia, governantes e guardiões do povo, realizavam obras para a comunidade de acordo com os preceitos religiosos: oração, esmola, jejum e peregrinação.

As fontes principais da doutrina islâmica são o Alcorão e os ditos do Profeta Muhammad. Estas duas fontes nada mencionam sobre a representação de figuras na arte; o que é fortemente condenado é a idolatria e o culto de imagens (aniconismo).

Quanto às obras de pintura islâmica, a maioria delas são afrescos e miniaturas. Que eram usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, conforme o lugar sofresse uma grande influência indiana, bizantina e até mesmo chinesa.

A arte islâmica não se inspira unicamente na religião. A literatura persa, como o Shâh Nâmâ, épico nacional, os "Cinco Poemas" (ou Khamsa) de Nizami (século XII), são fontes importantes de inspiração que se manifestam na arte do livro, mas também na relacionada com os objetos. As obras de alguns poetas místicos, como Saadi e Djami, dão também lugar a numerosas representações. Bem como as fábulas de origem indiana, e a literatura científica, como os tratados de astronomia, de mecânica ou de botânica, possui ricas ilustrações.
Apenas no século XIII o mundo islâmico tornou-se totalmente muçulmano, tendo outras religiões legado sua contribuição para a formação da arte islâmica: o cristianismo (na região que se estende do Egito à Turquia), o zoroastrismo (mundo iraniano), o hinduísmo e o budismo (na Índia) e o animismo no Magrebe.
Pouco se sabe sobre a arquitetura anterior ao aparecimento dos Omíadas (meados do século VII). O edifício mais importante anterior aos omíadas é a "Casa do Profeta" que fica em Medina. Esta casa, teria sido o primeiro lugar onde se reuniam os muçulmanos para rezar, embora o islão considere que a oração possa ser efetuada em qualquer local, desde que este esteja limpo.
A arquitetura manifesta-se de diversas formas no mundo islâmico: mesquitas, madrasas (escolas religiosas), edifícios que funcionam como locais de retiro espiritual (como por exemplo, asarrábitas) e túmulos são alguns dos edifícios característicos dos países de tradição islâmica.

A cerâmica conhece duas importantes inovações: a invenção da faiança e do lustro metálico. Estas duas técnicas continuarão a ser usadas durante muito tempo após a queda da dinastia abássida.

A arte do livro é geralmente dividida em três domínios: árabe (manuscritos sírios, egípcios, magrebinos), persas (manuscritos criados no Irão, sobretudo a partir da era mongol) e indiano (manuscritos mogóis).