terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ECCE HOMO - Resenha

Ecce Homo - Eis o Homem - é uma das obras mais controvertidas de Nietzsche, publicada em meio ao agravamento de sua doença e transtorno mental. Ao deixar esta última obra Nietzsche tencionava não ser confundido ou mal compreendido. Tinha receio de ser "santificado" ou idolatrado e que não desejava ser imitado e sim ser tomado como modelo. 

Uma visão sobre si mesmo e o mundo que o cerca em seus últimos momentos de lucidez exemplifica toda a sua formação e critica sem hesitação a sociedade alemã, grandes filósofos, a moral e até sua própria família.
É a mais poética e, pode-se dizer grandiosa dentre as obras dedicadas ao egocentrismo humano, é também uma autobiografia bastante singular.



Romântico. Mais tarde seria considerado um divisor de águas na filosofia. Martir Heidegger, o identificou como o último dos filósofos metafísicos, sendo ele mesmo (Martir) o primeiro filósofo não metafísico da história da filosofia ocidental.
Max Weber, disse: “O mundo onde nós existimos em termos de pensamento é um mundo cunhado pelas figuras de Marx e Nietzsche”.
Nietzsche foi um dos mais importantes pensadores alemães de todos os tempos sua influência vai muito além da filosofia, pois segue literatura, poesia, e belas-artes adentro. Influenciou movimentos que vão do naturalismo alemão ao modernismo. Ele, que nasceu cercado de moral por todos os lados, fez da moral o alvo de seus combates e considerou sua guerra pessoal contra ela sua maior vitória.
Nietzsche viveu mal interpretado como filósofo, em função de seu estilo poético, e a exploração de certos aspectos de seu pensamento – mal versados pela irmã e pelo nazismo – Nietzsche foi, na realidade, um dos críticos mais ferozes da religião, da moral e da tradição filosófica do Ocidente.
Mas, sem sombra de dúvida um dos maiores pensadores ocidentais de todos os tempos.
TRECHOS DO LIVRO ECCE HOMO

Por que eu sou tão inteligente?
Por que eu sei algo mais? Por que, acima de tudo, eu sou tão inteligente? Jamais me pus a pensar a respeito de perguntas que não são perguntas – eu não me esbanjei… Dificuldades religiosas de verdade, por exemplo, eu jamais as conheci por minha própria experiência. Sequer me dei conta até que ponto eu deveria me sentir “pecaminoso”. Do mesmo modo me falta um critério confiável para saber o que é um sentimento de culpa: segundo aquilo que se ouve a respeito, um sentimento de culpa não me parece nada digno de atenção…
[...]“Deus”, “imortalidade da alma”, “salvação”, “além” são coisas para as quais nunca dediquei atenção, nem mesmo, inclusive, quando era criança – talvez eu jamais tenha sido criança o suficiente para tanto… Estou longe de conhecer o ateísmo na condição de resultado, menos ainda como acontecimento: em mim, o ateísmo é compreensível na qualidade de instinto. Sou curioso demais para aceitar uma resposta esbofeteada. Deus é uma resposta esbofeteada e grosseira, uma indelicadeza contra nós, os pensadores[...]